Sesc Pompeia

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Bolo de Rolo

Uma pesquisa sobre a culinária brasileira


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Bolo de Rolo e Ilhas de Conteúdo. Depois dessa calibragem dos sentidos, adentra-se o amplo espaço do Galpão convertido em área expositiva. Ali está o Bolo de Rolo, sala em forma de espiral, construída com 25 metros de tecido bordado com a identidade visual da exposição, baseada nos balangandãs. O bordado foi feito por 35 mulheres de diferentes ONGs que realizam trabalho de inclusão social. Em contraposição a isso, no interior da sala, dois filmes interativos produzidos com alta tecnologia forram a parede em 360°, contando a história do food design a partir da visão da artista, que o observa como uma disciplina não atual, mas que começa na pré-história, com a criação do primeiro objeto concebido pelo homem para caçar e comer.

“Somos parte de uma sociedade baseada no açúcar dos engenhos, o país da sobremesa. Os doces, portanto, marcam nossa identidade. O filme mostra como o rocambole, que nasceu na Europa,

“A riqueza étnica e cultural brasileira propicia a criação de uma mesa ampla, com pratos produzidos por culturas locais ou influenciadas por diferentes etnias. Eles redundam numa mestiçagem em que não há limites nem territórios, resultando num verdadeiro banquete antropofágico,” diz Simone.

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passou por uma adaptação caprichosamente exagerada de nossa cozinha, foi enrolado muitas vezes mais e se tornou nosso Bolo de Rolo. Já o balangandã, saiu da cintura da negra escrava, foi para a cabeça de Carmen Miranda e acabou nas baianas de tabuleiro, representadas pelo Carnaval do Rio de Janeiro. A hóstia, por sua vez, é vista como food design a serviço de uma representação simbólica. Lampião imitou o exército de Napoleão para se legitimar; as hipérboles da Corte Imperial transbordam no carnaval; enfim, tudo faz parte de uma grande antropofagia e de um redescobrimento de si mesmo, muitas vezes um recalque, com ou sem traumas, pois essa composição complexa forma a relação mais do que especial que o Brasil tem com sua comida. Muitas vezes, nossa cultura exagerou para tornar-se mais verdadeira,” declara a idealizadora, pesquisadora e curadora da exposição.

Nas três Ilhas de Conteúdo são exibidas animações que sintetizam a forma como Simone enxerga o food design. Numa delas, o ponto de partida são os populares bolo de bolo e o buquê de cana-de-açúcar, aqui vistos como manifestações de food design avant la lettre, ou seja, antes de o termo ser concebido.

O bumba-meu-boi e o bolo de rolo são duas típicas manifestações brasileiras trazidas de outras culturas e aqui adaptadas.