Nuvem negra

Just Mad Madri 2016

Nuvem Negra


Quando ocorreu o acidente de Chernobyl 30 anos atrás, o vento levou uma quantidade considerável da nuvem radioativa à Bielorrússia. As previsões meteorológicas assinalavam que o país todo estava prestes a ser coberto e contaminado por ela, a menos se tomassem medidas drásticas contra o perigo iminente. Situações desesperadoras requerem medidas desesperadas. E foi assim que o governo da Bielorrússia, a fim de evitar uma tragédia nacional, não teve outra saída exceto espalhar produtos químicos sobre a nuvem para condensá-la. A chuva negra resultante ao sul do país foi uma imagem apocalíptica difícil de acreditar até mesmo para os que a presenciaram.

Poucas imagens nesse mundo são tão naturalmente belas e puras como aquelas formações brancas como algodão pairando no céu. Quando crianças, imaginamos que Deus poderia estar flutuando ali. Mas como algo tão imaculado, tão impossível de alcançar, enviado do céu pela Mãe Natureza, poderia ser na verdade um portador da destruição?

Nessa peça, Simone Mattar oferece seu ponto de vista sobre aquela nuvem mística, moldando algo tão inocente e divertido como o algodão doce. Redimensiona-se um elemento familiar de nossa infância: inofensiva porém escura; acessível porém misteriosa em sua forma, a Nuvem Negra é uma cócega quase macabra de doçura . Você se atreveria a provar um bocado antes que chova sobre sua cabeça?