Comida de guerra


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Um dos primeiros livros de comida de guerra de que se tem informações chama-se Como cozinhar um lobo. Foi escrito pela americana M.F.K. Fisher, na década de 1940, durante os anos da Segunda Guerra Mundial, com dicas e receitas para se alimentar bem, em períodos de crise. Entre as receitas, a autora cita cortes baratos de carne, como cérebro de boi, que ela ensina a fazer crocante; fala ainda da ingestão de alimentos crus que fazem bem à saúde e ajudam na digestão. Como diz a autora na introdução à edição revisada de 1951, «um aspecto do argumento em favor da Segunda Guerra é que, enquanto ainda se disparavam tiros, ela ensinou a nós, os sobreviventes, muitas coisas sobre a vida cotidiana que agora nos são valiosas, quando se trata, no plano ético ao menos, de uma questão de armas frias e palavras quentes.»

Atualmente, estudiosos e cientistas do mundo todo trabalham na questão da comida de guerra. O campo abriu também espaço para artistas, que passaram a refletir sobre o tema. Um exemplo a ser lembrado é o colombiano Omar Castañeda. Em seu site, “Food of War”, lista projetos que já criou.

Num deles, um pote de hummus aparece em cima de uma espécie de altar, como se fosse uma comida sagrada. No texto explicativo, ao lado das fotos, o artista fala da pasta de grão de bico e sua importância nas diversas culturas do Oriente Médio.

Outro trabalho que chama a atenção é “Maiden women”, com fotos de mulheres ucranianas segurando pôsteres com as palavras: “pão” e “barricada”. A legenda diz: «Não fazemos apenas sanduíches; fazemos também barricadas.» O trabalho mostra o papel ativo da cidadã, e parte de uma série de protestos civis no país do leste europeu, a partir de 2013, exigindo maior integração desses povos ao continente europeu.

Omar também criou um coletivo sobre o tema, chamado “Food of War”, do qual faço parte, ao lado da espanhola Quintina Valero, da russa Zinaida Lihacheva, do coletivo More Names, entre outros.

Os trabalhos vão ser apresentados na mostra “Clouded Lands: Chernobyl 30 anos”, em Kiev, na Ucrânia, entre 26 de abril e 9 de maio, passando depois por Minsk, na Bielorrúsia, e, depois, em Londres.

Participo com a obra “Nuvem Negra”, uma nuvem tóxica em formato e tamanho de uma árvore, feita de algodão doce comestível, que discute o desastre de Chernobyl, ocorrido durante a Guerra Fria e deixando toda a Europa em alerta sobre o que era ou não seguro para comer ou beber.